Especialidades

Tratamentos avançados em neurologia pediátrica

Referência em Neurocirurgia Pediátrica no Brasil. Selecione um procedimento para entender o que é a condição, quais sinais observar e como é o tratamento.

Cérebro e líquor

Hidrocefalia

Acúmulo de líquido dentro do cérebro que aumenta a pressão intracraniana e exige diagnóstico e tratamento precoces.

A hidrocefalia acontece quando o líquor, líquido que protege e nutre o cérebro e a medula, se acumula nas cavidades cerebrais (ventrículos) por produção excessiva, obstrução do fluxo ou dificuldade de absorção.

Pode estar presente desde o nascimento (congênita) ou surgir depois de infecções, hemorragias, tumores ou traumas.

Em bebês

  • Crescimento acelerado do perímetro cefálico
  • Fontanela (moleira) tensa ou abaulada
  • Veias do couro cabeludo dilatadas
  • Vômitos frequentes, irritabilidade ou sonolência excessiva
  • Olhar voltado para baixo (sinal do "sol poente")

Em crianças maiores

  • Dor de cabeça persistente, principalmente ao acordar
  • Náuseas, vômitos e alterações visuais
  • Queda do rendimento escolar e dificuldade de equilíbrio

O tratamento é cirúrgico e definido caso a caso. As opções mais utilizadas são a derivação do líquor (como a derivação ventrículo-peritoneal) e a terceiro-ventriculostomia endoscópica, indicada em situações selecionadas.

Após a cirurgia, o acompanhamento regular é essencial para avaliar o funcionamento do sistema e o desenvolvimento da criança.

Crânio

Cranioestenose

Fechamento precoce das suturas do crânio, que altera o formato da cabeça e pode limitar o crescimento do cérebro.

Também chamada de craniossinostose, ocorre quando uma ou mais suturas (as "juntas" entre os ossos do crânio) se fecham antes do tempo.

Como o crânio não consegue crescer de forma simétrica, a cabeça assume um formato diferente do habitual e, em alguns casos, há aumento da pressão dentro do crânio. Pode ocorrer de forma isolada ou associada a síndromes genéticas.

  • Formato anormal da cabeça (alongada, triangular ou assimétrica)
  • Crista óssea palpável ao longo da sutura afetada
  • Moleira que fecha cedo ou que não é palpável
  • Assimetria da face ou dos olhos
  • Em casos mais avançados: irritabilidade, vômitos e atraso de desenvolvimento

A correção é cirúrgica, e o momento ideal depende do tipo de cranioestenose e da idade do bebê.

Podem ser indicadas técnicas menos invasivas, como a cirurgia endoscópica em bebês pequenos, ou a remodelação craniana aberta em outros casos. O diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento.

Coluna e medula

Mielomeningocele

Forma mais grave de espinha bífida, com exposição da medula e das meninges por falha no fechamento da coluna.

É uma malformação congênita em que a coluna vertebral não se fecha por completo durante a gestação, deixando a medula espinhal e suas membranas expostas em uma bolsa nas costas do bebê.

Costuma ser identificada no ultrassom morfológico da gestação e pode vir acompanhada de hidrocefalia.

  • Bolsa ou abaulamento na região da coluna ao nascimento
  • Diminuição de movimentos ou de sensibilidade nas pernas
  • Alterações na função da bexiga e do intestino
  • Hidrocefalia associada em grande parte dos casos
  • Deformidades nos pés e nos quadris

O tratamento consiste no fechamento cirúrgico da lesão, realizado nos primeiros dias de vida ou, em casos selecionados, ainda durante a gestação (neurocirurgia fetal). Quando há hidrocefalia, ela também é tratada.

O cuidado é multidisciplinar e contínuo, envolvendo neurocirurgia, urologia, ortopedia, fisioterapia e demais especialidades.

Cérebro e líquor

Tumores Cerebrais

Tratamento de tumores do sistema nervoso central na infância, com planejamento cirúrgico individualizado e cuidado integrado.

Os tumores cerebrais infantis são crescimentos anormais de células dentro do crânio. Diferem dos tumores em adultos quanto ao tipo, à localização e ao comportamento.

Podem ser benignos ou malignos, e cada caso exige investigação por exames de imagem, principalmente a ressonância magnética.

  • Dor de cabeça persistente, principalmente pela manhã
  • Vômitos sem causa aparente
  • Perda de equilíbrio ou de coordenação
  • Alterações visuais, como visão dupla ou desvio dos olhos
  • Convulsões
  • Mudanças de comportamento ou queda no rendimento escolar
  • Aumento da cabeça em bebês

Sempre que possível, o tratamento inclui a cirurgia para retirada total ou parcial do tumor, além de biópsia para definir o diagnóstico.

A conduta é discutida com oncologia pediátrica, radioterapia e outras áreas quando necessário, com o objetivo de tratar a doença preservando ao máximo as funções neurológicas e o desenvolvimento da criança.

Coluna e medula

Espinha Bífida

Grupo de malformações do fechamento da coluna, de formas discretas a graves, que exigem avaliação e acompanhamento.

Espinha bífida é o termo que reúne defeitos de fechamento do tubo neural durante a formação da coluna. Inclui a forma oculta, geralmente mais leve, a meningocele e a mielomeningocele, a mais complexa.

A prevenção envolve, entre outros cuidados, a suplementação de ácido fólico antes e no início da gestação, conforme orientação do pré-natal.

  • Mancha escura, tufo de pelos, covinha profunda ou massa na região lombar
  • Abaulamento nas costas ao nascimento
  • Fraqueza ou alterações de sensibilidade nas pernas
  • Alterações urinárias ou intestinais
  • Dor ou piora da marcha ao longo do crescimento (medula presa)

A conduta varia conforme o tipo. Formas ocultas podem exigir apenas acompanhamento, enquanto outras necessitam de cirurgia para fechar a lesão, liberar a medula ou tratar a hidrocefalia associada.

O seguimento com a equipe multidisciplinar acompanha a criança em todas as fases do crescimento.

Fetal

Neurocirurgia Fetal

Correção cirúrgica de malformações ainda dentro do útero, em casos selecionados, como a mielomeningocele.

A neurocirurgia fetal é a cirurgia realizada no bebê ainda durante a gestação. O procedimento mais conhecido é a correção intrauterina da mielomeningocele, feita em uma janela específica da gravidez, geralmente entre a 19ª e a 26ª semana.

Estudos mostram que, em casos bem indicados, ela pode reduzir a necessidade de derivação para hidrocefalia e melhorar a função motora, em comparação com a cirurgia após o nascimento.

  • Diagnóstico de mielomeningocele no ultrassom morfológico
  • Idade gestacional dentro da janela indicada
  • Avaliação fetal e materna favorável
  • Ausência de contraindicações
  • Decisão compartilhada e informada com a família

Cada gestante passa por avaliação detalhada com equipe multidisciplinar, incluindo medicina fetal, obstetrícia, anestesia e neurocirurgia pediátrica.

A cirurgia envolve riscos para a mãe e para o bebê, como parto prematuro. Por isso, a indicação é criteriosa e acompanhada de aconselhamento completo à família. Após o nascimento, a criança segue em acompanhamento especializado.

Crânio

Deformidades Cranianas

Alterações no formato da cabeça do bebê, de causas posicionais a condições que exigem cirurgia.

A forma da cabeça do bebê pode se alterar por posição prolongada no mesmo lado (plagiocefalia posicional), por achatamento da parte de trás (braquicefalia) ou por fechamento precoce de suturas (cranioestenose).

Diferenciar a causa é fundamental, pois cada uma tem uma conduta diferente.

  • Achatamento de um lado ou da parte de trás da cabeça
  • Assimetria da testa, das orelhas ou da face
  • Preferência por virar a cabeça sempre para o mesmo lado
  • Cabeça alongada, larga ou pontuda
  • Crista óssea sobre as suturas

A avaliação clínica e, quando necessário, os exames de imagem definem o caminho. Casos posicionais costumam responder a reposicionamento, estímulo do bebê e fisioterapia, com órteses (capacetes) em situações selecionadas.

Quando há fechamento precoce de suturas, a correção cirúrgica pode ser indicada. Quanto mais cedo a avaliação, mais opções estão disponíveis.

Coluna e cérebro

Tumores da Medula e Cistos Cerebrais

Lesões que ocupam espaço na medula espinhal ou no cérebro, tratadas com microcirurgia e indicações criteriosas.

Os tumores da medula são crescimentos que se desenvolvem dentro da medula espinhal ou ao seu redor e podem comprimir estruturas nervosas.

Já os cistos cerebrais são cavidades preenchidas por líquido, como os cistos aracnoides, que muitas vezes são achados de exames e não causam sintomas.

Tumores da medula

  • Dor nas costas persistente, muitas vezes pior à noite
  • Fraqueza ou dificuldade para andar
  • Alteração de sensibilidade e escoliose
  • Alterações urinárias ou intestinais

Cistos cerebrais

  • Muitas vezes nenhum sintoma
  • Dor de cabeça, convulsões ou hidrocefalia quando comprimem estruturas vizinhas
  • Aumento do perímetro cefálico em bebês

Nos tumores da medula, a ressonância magnética orienta o planejamento da microcirurgia, que busca remover a lesão preservando as funções neurológicas.

Nos cistos, muitos casos são apenas acompanhados com exames periódicos. A cirurgia, como a fenestração endoscópica ou a derivação, é reservada para quando há sintomas ou crescimento.

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